PARTE 1 — O COMEÇO DE UMA VINGANÇA

A história começa com Assane Diop, interpretado por Omar Sy. Quando era criança, Assane viu sua
vida mudar de forma brutal. Seu pai, Babakar, trabalhava para a família rica e poderosa dos
Pellegrini e acabou acusado injustamente de roubar um colar valioso associado a Maria Antonieta.
Pressionado e abandonado pelo sistema, Babakar morre na prisão, deixando Assane com uma
ferida que nunca cicatrizou.
Assane não cresce querendo apenas dinheiro ou fama. Ele quer descobrir a verdade e fazer com
que os responsáveis paguem pelo que fizeram. A pessoa que lhe oferece uma espécie de manual
para essa jornada é o escritor Maurice Leblanc: os livros de Arsène Lupin, o famoso ladrão de
casaca, mestre dos disfarces e da manipulação.
Assane aprende a pensar como Lupin. Observa as pessoas, identifica seus pontos cegos, planeja
rotas de fuga e usa a confiança dos poderosos contra eles. A série transforma roubos em
quebra-cabeças: vemos uma situação aparentemente impossível e, depois, entendemos como
Assane preparou o terreno. O prazer está não só no golpe, mas na revelação de que pistas
aparentemente insignificantes faziam parte do plano.
O roubo do colar no Louvre funciona como uma declaração de intenções. Assane chama a atenção
para um objeto ligado ao passado de seu pai e inicia uma investigação que revela a influência de
Hubert Pellegrini. Aos poucos, o roubo deixa de ser uma façanha isolada e passa a ser uma
tentativa de reescrever a história imposta à sua família.
Ao mesmo tempo, Assane não vive num mundo sem consequências. Sua ex-companheira, Claire, e
o filho deles, Raoul, fazem parte de sua vida e sofrem com os riscos que ele assume. Benjamin, seu
amigo de longa data e parceiro de confiança, ajuda a transformar ideias ousadas em operações
possíveis. Já o policial Youssef Guédira percebe conexões entre os crimes e a literatura de Arsène
Lupin.
Essa combinação é uma das forças da primeira parte: um protagonista que parece estar sempre
vários passos à frente, mas cuja vida pessoal está longe de ser perfeitamente controlada. Assane
consegue enganar sistemas de segurança e pessoas influentes, mas não consegue apagar o medo
e a desconfiança de quem ama.
PARTE 2 — QUANDO O JOGO FICA MAIS PERIGOSO
Na segunda parte, o conflito se torna mais urgente e pessoal. A disputa com Pellegrini deixa de ser
apenas uma investigação sobre o passado e passa a ameaçar diretamente a família de Assane. A
série aumenta a escala das perseguições e dos planos, mas mantém o mesmo princípio: a melhor
arma de Assane é entender o que os outros esperam que ele faça — e agir de um jeito que
ninguém previu.
A tensão funciona porque o protagonista precisa equilibrar três frentes: limpar o nome do pai,
proteger Claire e Raoul e evitar que a polícia feche o cerco. Cada escolha tem um custo. Quando
Assane usa um disfarce ou monta uma encenação, o truque pode funcionar naquele momento,
mas também cria novos riscos para o futuro.
A série deixa claro que a inteligência de Assane não o torna invulnerável. Sua confiança às vezes
se aproxima da arrogância, e a necessidade de controlar cada detalhe pode colocar outras pessoas
em perigo. Esse defeito mantém o personagem interessante: se tudo desse certo sem
consequências, os golpes perderiam o suspense.
Benjamin é mais do que alguém que fornece ferramentas e apoio; ele conhece Assane e entende o
que está por trás de suas decisões. Guédira, por outro lado, representa uma investigação que não
se satisfaz com respostas fáceis. Ele pode estar perseguindo Assane, mas também percebe que há
algo maior por trás dos crimes.
O confronto com Pellegrini leva a primeira grande etapa da história a uma conclusão. Assane
consegue expor parte da estrutura de mentiras e corrupção que destruiu a vida de seu pai. Mas
vencer um adversário não significa recuperar automaticamente os anos perdidos. A série deixa
claro que justiça e reparação não são exatamente a mesma coisa.
PARTE 3 — A LENDA CRESCE, MAS A FAMÍLIA CONTINUA EM RISCO
Na terceira parte, Assane já não é apenas um homem tentando descobrir a verdade. Ele se tornou
uma figura pública, admirada por muita gente e perseguida pelas autoridades. O uso de máscaras
com o rosto de Assane mostra como sua imagem escapou do controle: para alguns, ele é um
criminoso; para outros, um símbolo de resistência contra os ricos e poderosos.
Um dos grandes alvos dessa etapa é a Pérola Negra. Mais uma vez, o roubo serve como vitrine
para a criatividade do protagonista, mas o que está em jogo vai além de uma joia. Os golpes são
peças de uma história maior, na qual Assane tenta manter o controle enquanto os inimigos se
aproximam de sua família.
A volta de Mariama, sua mãe, adiciona uma camada emocional importante. O reencontro traz à
tona a dor da separação e os anos em que Assane viveu sem saber toda a extensão do que havia
acontecido. O passado não é apenas uma motivação abstrata: são pessoas reais, com relações
quebradas e lembranças difíceis.
Ao longo da temporada, Assane precisa lidar com ameaças, manter seus aliados seguros e
continuar um passo à frente. A série trabalha com identidades falsas, planos dentro de planos e
reviravoltas, mas o centro emocional permanece o mesmo: ele quer proteger quem ama, embora
seus métodos muitas vezes tornem essa proteção mais difícil.
No desfecho, Assane decide se entregar. É uma escolha significativa para alguém cuja
especialidade sempre foi escapar. Ele tenta proteger a família e negociar a libertação de Benjamin,
aceitando ficar preso. Antes disso, recebe uma coleção completa dos livros de Arsène Lupin, quase
como se o personagem literário fosse acompanhá-lo nessa nova fase.
Só que Lupin não seria Lupin sem uma última virada. Na prisão, Assane descobre que Hubert
Pellegrini está na cela vizinha. A revelação deixa a história em suspenso e mostra que o passado
ainda não terminou de cobrar sua dívida. A entrega de Assane parece uma conclusão, mas a
presença de Pellegrini transforma o final em uma nova promessa de conflito.
O QUE FAZ LUPIN FUNCIONAR?
Uma das maiores qualidades da série é Omar Sy. Ele dá a Assane carisma, humor e
vulnerabilidade. O personagem pode entrar em uma sala como se fosse dono do lugar, mudar de
identidade e convencer estranhos de que pertence a qualquer ambiente. Mas, diante da família,
vemos alguém que não tem uma solução simples para tudo.
Outro ponto forte é o ritmo. Os episódios apresentam um problema, espalham pistas e entregam
uma virada que muda nossa compreensão do que vimos. A série convida o público a tentar
descobrir o plano, mas também guarda informações para criar surpresa. Quando funciona, dá
vontade de voltar mentalmente às cenas anteriores e perceber os detalhes que estavam ali o
tempo todo.
A inspiração em Arsène Lupin dá unidade à narrativa. Assane não é apenas um ladrão habilidoso;
ele usa a literatura como modelo de pensamento e como parte de sua identidade. O contraste
entre a tradição dos romances e a Paris contemporânea ajuda a série a parecer familiar e moderna
ao mesmo tempo.
Há pontos que podem dividir o público. Em alguns momentos, os planos dependem de
coincidências convenientes ou de uma quantidade enorme de disfarces, recursos e tempo de
preparação. Quem procura realismo policial rigoroso pode achar algumas soluções exageradas. E,
como a série aposta em reviravoltas, nem todas têm o mesmo impacto.
Ainda assim, Lupin entende muito bem o tipo de aventura que quer ser. Não é um documentário
sobre investigação criminal, e sim um thriller de entretenimento, construído em torno de um
protagonista que usa inteligência e performance para enfrentar uma estrutura de poder. O exagero
faz parte do espetáculo — desde que a emoção continue convincente.
A série também tem um tema social importante: a diferença entre como a lei trata os poderosos e
como trata quem tem menos recursos. A história de Babakar mostra como uma acusação pode ser
usada para proteger reputações e destruir vidas. Assane responde a essa injustiça com golpes,
mas a série deixa espaço para discutir o preço de transformar a própria vida em uma missão de
vingança.
PARTE 4 — O QUE A ESTREIA PROMETE
A Parte 4 chegou à Netflix em 23 de outubro de 2026. A nova etapa começa após um salto de
quatro anos. Assane continua na prisão e, ao que tudo indica, tenta cumprir sua sentença e manter
a promessa de visitar a família no Senegal. Pela primeira vez, a ideia de aceitar as consequências
parece ocupar um lugar central em seus planos.
Mas a tranquilidade dura pouco. Um anúncio misterioso, assinado em nome de Lupin, promete
roubos simultâneos em vários museus. Mesmo com a segurança reforçada, os crimes acontecem.
Assane acaba incriminado, e imagens de vigilância o colocam em um museu durante um dos
roubos — um episódio que deixa a capitã Sofia Belkacem gravemente ferida.
A premissa cria um dilema interessante: se Assane está preso, como pode ser responsável pelos
golpes? E, se alguém está usando o nome de Lupin, essa pessoa conhece seus métodos ou quer
destruir a reputação que ele construiu? O desafio agora é provar sua inocência e descobrir quem
está por trás da imitação.
Para isso, Assane precisa voltar a vestir a identidade de Lupin e escapar da prisão. O conflito tem
potencial porque ataca justamente o que sempre foi sua maior força: controlar a narrativa.
Durante as primeiras partes, ele escolhia quando aparecer, como enganar seus adversários e qual
história as pessoas acreditariam. Agora, alguém parece estar usando a lenda contra ele.
A presença de um imitador também abre espaço para uma pergunta essencial: o que faz alguém
ser Lupin? É o nome, o estilo dos golpes ou a inteligência por trás deles? Copiar a aparência de um
plano pode ser suficiente para enganar a polícia por algum tempo, mas talvez não seja suficiente
para compreender as motivações de Assane.
A Parte 4 tem oito episódios lançados juntos. A premissa oficial coloca Assane entre a prisão, a
família e uma nova sequência de roubos que ameaça tudo o que ele construiu. Sem antecipar
acontecimentos específicos que não estou avaliando aqui, essa configuração oferece um caminho
promissor para retomar o suspense e colocar o protagonista diante de um adversário que conhece
o poder de sua própria imagem.
VEREDITO FINAL
No balanço geral, Lupin se destaca por transformar uma história de injustiça familiar em uma
aventura de golpes engenhosos, perseguições e identidades falsas. A primeira parte apresenta a
ferida que move Assane; a segunda amplia o conflito e o custo de sua vingança; a terceira mostra
a lenda crescendo até que ele decide se entregar. A Parte 4 começa com a promessa de testar
essa lenda de uma maneira diferente: alguém está usando o nome de Lupin, e Assane precisa
provar que não é o responsável.
O maior trunfo continua sendo o protagonista. Assane é divertido de acompanhar porque pensa
rápido, improvisa e raramente aceita que os poderosos tenham a última palavra. Mas sua jornada
também lembra que inteligência não elimina consequências e que proteger a família pode exigir
escolhas dolorosas.
Se você gosta de séries com mistério, investigação, reviravoltas e um personagem principal que
sempre parece ter um plano escondido, Lupin merece entrar na sua lista. E, se você já
acompanhou as três primeiras partes, a nova etapa tem um gancho forte: como escapar de uma
prisão e, ao mesmo tempo, escapar da própria reputação?
Agora eu quero saber a sua opinião: qual foi o golpe mais inteligente de Assane até aqui? Você
acha que a Parte 4 vai conseguir superar as reviravoltas anteriores? Comenta aí, deixa o like e
compartilha este vídeo com quem também curte séries de suspense.
Este foi mais um review da D’Gamer & Nerd. Valeu por acompanhar, e a gente se vê no próximo
conteúdo. Até lá!
Por: Jean Vargas
